Yoga: cintilâncias e o caminho de cada um

yoga

“Porque há desejo em mim,
é tudo cintilância.”
Hilda Hilst

Pratico yoga diariamente. E  não estou falando só dos asanas, aquelas posições lindas que muitos relacionam com contorcionismo  🙂

Muitas vezes me perguntam há quanto tempo pratico yoga e eu nunca sei dizer. O sentimento que tenho é de que pratico desde quando comecei a viver  as benditas questões existenciais básicas: Quem sou eu? Qual o sentido da vida? Qual é a minha missão? E tenho uma vaga lembrança de que essas questões começaram a aparecer de forma mais persistente a partir dos 17, 18 anos. Já com os hormônios mais estáveis, não pude culpá-los e saí à  caça de respostas.

Comecei pela filosofia, experimentei  o movimento hippie, busquei na poesia e nas artes, devorei livros, fui para o meio do mato, tentei ser freira, rezei, cantei e dancei. Em uma dessas fases confusas, com o coração apertado e a respiração curta, ia de bicicleta a todos os lugares e enquanto pedalava cantava o Hare krishna… A  respiração se tornava mais profunda e quando eu chegava ao ponto final, chegava sorrindo e com o coração frouxo. Já era o poder maravilhoso do mantra e do estar presente no agora com atenção plena, coisinhas boas do yoga que começavam a cintilar na minha vida.

Mas eu também não sei como aprendi a cantar o Hare Krishna. Lembro de pequenina, morando em Belo Horizonte, passear pelo centro da cidade com minha mãe e encontrar com os devotos de Krishna. Eu achava as roupas lindas, o cheirinho de incenso uma delícia e os mantras uma alegria.

Depois teve um tempo em que a minha cabeça e o meu coração dedicaram todas as energias  a  questões “importantes”: estudos acadêmicos, carreira, contas no final do mês, casa própria, etc… Mas o yoga sempre ali: em um vídeo que eu usava para fazer aulas em casa depois que chegava do trabalho, livros que eu lia, no cheirinho de incenso sempre presente, em pessoas que o universo colocava em meu caminho.

E até pouco tempo atrás, quanto mais eu me afastava daquilo que eu de verdade acreditava e queria para minha vida, mas o yoga se fazia presente. Lembro de receber uma nova colega de trabalho que era uma linda yoguini, também tentando se encontrar entre tantas coisas importantes a fazer. De repente, o armário lotado de pastas com relatórios teve que abrir espaço para os tapetinhos que usávamos para praticar na hora do almoço. Foram poucas vezes, mas como foi forte e determinante cada uma daquelas práticas no terraço do prédio com a vista exuberante da mata às margens do rio Paraná e das águas profundas da represa de Itaipu!

Foi assim que, movida pelo amor e pelas dores que já não eram só na alma, larguei tudo (essa história já foi contada aqui no nosso Vida Larga!) e, entre outras mudanças, fui mergulhar no yoga de corpo, mente, espírito, coração e com toda a energia que eu tinha (e que na época não era muita!).

Como eu disse lá em cima, hoje pratico yoga todos os dias. O yoga é o caminho que escolhi seguir. Caminho que percorro carregando as minhas velhas questões existenciais, que se renovam a cada dia. Caminho que percorro assumindo os tropeços e o cansaço que exigem paradas para sentar à  beira da estrada.

Palavras como meditação, asanas, pranayamas, não violência, controle dos sentidos, autoestudo,  fazem hoje parte de todas as práticas que assumo para o meu dia-a-dia. Assim vou vivendo o yoga de forma lúcida, respeitando o meu tempo e compartilhando com outras pessoas esse caminho.

O yoga é para todos, isso é fato. O modo como cada um se apropria dessa experiência é único. Portanto, não cabe aqui, nesse momento, discussões em torno de linhas de yoga e as apropriações ocidentais do yoga tradicional indiano. Cabe aqui dizer que o yoga é um caminho aberto há  milhares de anos para todos que buscam uma vida mais equilibrada, harmoniosa e feliz. Veja  bem, que buscam; encontrar é outra história. Para mim, foi o caminho que se abriu para que eu caminhasse com minha família na construção diária e eterna da nossa Vida Larga.

Yoga pra mim é respirar fundo quando a vontade é de explodir e desistir, é se unir ao outro pela empatia e pela colaboração, é se perceber como parte do universo e responsável por ele, é olhar os próprios pensamentos de fora e se reconhecer, é sentir cada parte do seu corpo como se fosse a primeira vez. Yoga é força, energia e alegria. Yoga é descobrir na gratidão e no contentamento o caminho para uma vida mais plena. E é muito mais que tudo isso…

Uma lição que se tornou ainda mais presente com o yoga: é preciso estar atento, a vida vai nos indicando os melhores caminhos… “Atenção ao dobrar uma esquina!”

 

 

Gratidão ao universo, gratidão a todos os mestre e praticantes, encarnados ou desencarnados, especialmente ao Mestre Arnaldo de Almeida, Shri Babaji Desai. Gratidão ao Sistema Shivam Yoga. Gratidão!

Em tempo: lembro de contar para uma amiga sobre o meu plano de fazer o curso de formação para instrutor de yoga e ela me perguntar se era para dar aulas. Apesar de parecer óbvio, não era esse o objetivo, era só pra mim. Lembro de dizer que quando começasse a transbordar, eu pensaria no assunto e hoje estou aqui, não só pensando, mas compartilhando o assunto. A intenção é compartilhar cada vez mais. Então, se você se interessa pelo yoga, vem com a gente, teremos um espaço especial só pra isso aqui no Vida Larga:

 

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Rúbia é esposa do Camilo e mãe da Manu, ambos em tempo integral, “com muito orgulho, com muito amor”. Há pouco tempo largou um emprego seguro para se aventurar na vida como empreendedora, coisa que ela sempre duvidou que poderia ser. Já viveu “várias vidas”. Hoje é designer instrucional, instrutora de yoga, “origameira”, dona de casa aprendendo a fazer biscoitos e bolos, estudante e praticante do Ayurveda e de meditação. Fascinada pela magia das sementes, brotos, plantas e poções que enchem os olhos, a barriga e curam a alma. Com algumas dessas coisas ganha dinheiro e com muitas outras gasta a vida. Da cabeça e do coração continuam brotando ideias que se espalham por aqui e acolá, nessa vida larga.

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