O tempo como você nunca viu antes

Você tem tempo para tudo que você deseja fazer? Pois é, eu não conseguia ter. O tempo que eu tinha era todo gasto em todas as milhões de coisas que eu PRECISAVA fazer… as obrigações. Matutando sobre isso me veio uma boa ideia: então, por que não tornar as obrigações em coisas que desejo fazer e não somente em coisas que sou obrigada a fazer? Complexo, eu sei!

Mas é com base nessa questão que vira e mexe eu resolvo mudar uma coisinha aqui e outra acolá. É sempre um exercício de tornar o meu tempo suficiente para aquilo que desejo e gosto de fazer, ao invés de gastar a maior parte dele com obrigações e deveres. Bom, nem sempre dá certo, é claro! Caso contrário eu teria alcançado o paraíso na terra e eu nem quero isso também (cá entre nós, por já saber que isso não é possível!). Mas é por meio desse exercício que aos poucos vou aumentando o “meu tempo”, porque agora já não o contabilizo, a maior parte do tempo eu só vivo mesmo.

Na prática a coisa não é tão complicada assim, basta você ter coragem de analisar a sua vida e talvez chegar à conclusão de que ela pode ser melhor. Chegando a essa conclusão fica difícil não correr atrás do tempo perdido (mais uma coisa que também não é possível, já diz a voz do povo que o que passou, passou! E a voz do povo…). Então, melhor… chegando à conclusão de que sua vida pode dar uma melhoradinha, que você pode se sentir um pouco mais feliz, mais realizado(a) e que, consequentemente, você pode ter um pouco mais de prazer nessa “vida de meu deus” mesmo antes da aposentadoria ou antes de ganhar na loteria… então, dificilmente você conseguirá se manter exatamente como está, sem pensar nem que seja em uma mudançazinha, bem “inha”, qualquer.

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Imagem: www.acoloradocourtship.com

Então, vamos à prática?

Vamos lá! Muito objetivamente, partindo do princípio básico e popular de que a minha vida é o que faço dela, construa uma lista de tudo que você faz na sua vida separando em duas colunas: obrigações / prazeres. Dá um pouquinho de trabalho porque tem que entrar tudo, desde dormir (será que tem gente para quem dormir é uma obrigação? Acho que sim…) até trabalho. Lembre-se que existem obrigações ou prazeres que possuem subitens, sejam eles também obrigações e/ou prazeres. Complexo de novo? Exemplo: o seu trabalho pode ser uma obrigação (caso clássico!), mas existem atividades nele que podem ser prazerosas e elas podem ser um dica de que na verdade ele não é tão ruim assim ou que ele é ruim sim e muito, mas aí as atividades que você gosta de fazer podem ser uma ideia para correr atrás de um novo emprego ou abrir o seu próprio negócio. Enfim, liste tudo, lembre-se dos detalhes, separe um bendito tempo para isso!

Feito isso, chegou o momento da análise dos dados. E aí é que “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come (…)”, mas “tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Em casos extremos esse é o momento em que talvez você chegue à conclusão de que sua vida é uma lista de obrigações e que por isso mesmo o tempo nunca é suficiente. Tentando explicar melhor: como são muitas obrigações a cumprir, você conta cada minuto para terminá-las e ter tempo para fazer aquilo que deseja, mas aí já são seis horas, já é sexta-feira, já é Natal, já terminou o ano (licença a Mario Quintana). Você está sempre esperando o dia em que terá tempo para fazer aquilo que realmente gosta de fazer. Esse tipo de espera desperdiça tempo e faz com que você sinta que ele nunca é suficiente.

Confesso que não fiz esse exercício antes de mudarmos bastante a nossa vida, o insight veio depois, mas aí me arrisquei a simular mentalmente uma lista anterior à mudança e a comparei com a lista atual. Fiquei feliz! Inclusive estava precisando disso para oxigenar as decisões tomadas e as mudanças assumidas. Hoje a coluna dos prazeres está maior que o das obrigações, apesar dessas ocuparem ainda mais do que eu gostaria. E aí uma pequena e importante observação: ter responsabilidades é diferente de ter obrigações. Então, não significa que hoje eu vivo por aí sem lenço e sem documento, mas significa que hoje eu assumi, e tento continuar assumindo, responsabilidades que façam sentido para mim e para minha família, que nos tragam saúde, alegria e paz… que nos tornem seres humanos melhores para nós mesmos, para as outras pessoas e para o universo (nosso lema!), de modo que o nosso espírito ganhe um brilho definido e possamos espalhar benefícios (pedindo licença a Caetano).

Então, mãos à obra. É somente um exercício, você não precisará largar seu emprego, sua família, sua cidade, pelo menos não agora. Faça esse exercício, exercite também a criatividade e tente pelo menos começar a imaginar em como substituir as obrigações por responsabilidades que façam sentido para você, que lhe conduzam por um caminho de mais harmonia e mais sincero com você e seus valores. E se você está lendo este texto até agora é porque, pelo menos, você já está com um pezinho nesse caminho, mesmo que o que eu escrevi sirva somente para você dizer que nada disso lhe serve.

O convite está feito! Segue a trilha sonora para lhe acompanhar nesse exercício:

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Rúbia é esposa do Camilo e mãe da Manu, ambos em tempo integral, “com muito orgulho, com muito amor”. Há pouco tempo largou um emprego seguro para se aventurar na vida como empreendedora, coisa que ela sempre duvidou que poderia ser. Já viveu “várias vidas”. Hoje é designer instrucional, instrutora de yoga, “origameira”, dona de casa aprendendo a fazer biscoitos e bolos, estudante e praticante do Ayurveda e de meditação. Fascinada pela magia das sementes, brotos, plantas e poções que enchem os olhos, a barriga e curam a alma. Com algumas dessas coisas ganha dinheiro e com muitas outras gasta a vida. Da cabeça e do coração continuam brotando ideias que se espalham por aqui e acolá, nessa vida larga.

Vida Larga

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